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Família

Onde o Gelo Cede

por Sheridan Hartin

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Gancho: Charlotte Pierce está acostumada a sobreviver em movimento. Cidades novas, escolas novas, a mesma casa velha no fim do mundo, e a mesma regra que a m...

Charlotte Pierce está acostumada a sobreviver em movimento. Cidades novas, escolas novas, a mesma casa velha no fim do mundo, e a mesma regra que a mantém de pé: manter o irmão gêmeo, Charlie, em segurança. Manter vivo o sonho dele no hóquei. Manter as próprias necessidades em silêncio. Ela trabalha demais, dorme de menos e guarda a única coisa que ainda pa...

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Capitulo 1

Capítulo 1 Periferia

Charlotte

A neve empoeira o para-brisa em riscos finos, sussurrantes, enquanto o carro tosse para fora da rodovia. O aquecedor estala e morre, e o frio se espreme por cada fresta. Minha respiração embaça o vidro, e eu desenho um círculo com a manga, vendo o branco engolir a estrada atrás da gente.

As árvores vão rareando, e a cidade se ergue silenciosa e pálida.

Não é novidade. Cada cidade para a qual a gente se muda parece ter mais ou menos a mesma cara. Tem a lanchonete única que fica aberta a noite inteira, com as luzes zumbindo e as janelas embaçadas. Um posto de gasolina com uma placa pintada à mão que parece ter sido pendurada nos anos sessenta e não foi tocada desde então. Uma rua principal com uma padaria, um banco e algumas lojinhas que fecham cedo.

Depois, tem as casas.

Essa parte é sempre assustadoramente parecida. A gente passa primeiro pelas ruas ricas porque, claro, ficam mais perto do centro. Têm cercas altas, luzes quentes e entradas de carro já limpas. São cheias de crianças criadas a pão de ló, com espaço de sobra para respirar.

Aí vêm as famíl......

Capitulo 2

Capítulo 2 O Perfume Dela

Blake

Hoje começou como qualquer outro dia.

Fui pra escola, joguei hóquei, voltei pra casa e deixei o Lex sair pra correr. Um dia típico, certo?

Errado.

Tem alguma coisa estranha desde cedo. O Lex ficou agitado, inquieto — se remexendo como um cachorro preso a uma guia que não quer usar. Eu fico esperando alguma coisa saltar das sombras e me morder. Eu não sei o que é, mas a sensação fica me roendo, como uma coceira num lugar que eu não consigo alcançar.

Eu não consigo me livrar disso.

Não consegui me concentrar na aula. Meu controle do disco estava lento; em cada chute que eu dava no treino, eu estava meio passo atrasado.

Aí, quando eu mudei de forma pra deixar o Lex correr, ele quase me desequilibrou e tentou assumir o controle da corrida. Ele queria me arrastar pra fora da cidade, pra longe de tudo. Eu tive que usar toda a minha força pra puxar ele de volta, pra conter a tração do que quer que seja que deixou ele daquele jeito.

Agora eu estou sentado no quintal, com um churrasco pela metade diante de mim. O c......

Capitulo 3

Capítulo 3 O que eu dou

Charlotte

Charlie e eu corremos pela mata nevada, serpenteando entre árvores nuas, saltando sobre troncos caídos, abrindo caminho por montes de neve que chegam até o peito. A neve espirra ao redor das minhas pernas a cada passada. Ela gruda no meu pelo e derrete na minha pele, fria, cortante e perfeita.

Fazia tempo demais que a gente não conseguia correr assim, tempo demais sem espaço e ar e sem nada nos perseguindo.

Charlie assume a dianteira, e contornamos um arbusto denso. Então ele para tão de repente que eu derrapo e bato direto nele.

Enterro as patas na neve para me firmar. Solto um bufar, irritada, prestes a rosnar com ele, mas então olho por cima do ombro dele.

Um lago se estende à nossa frente.

É imenso e está completamente congelado, a superfície irregular e marcada por rachaduras antigas e emendas recongeladas. A neve se acumulou em depressões rasas, deixando largas faixas de gelo exposto que captam a luz que se apaga.

Dou um passo lento adiante, atraída sem pensar.

O gelo parece grosso o bastante, velho o bastante; não é liso, mas eu já patinei em coisa pior.

Me......

Capitulo 4

Capítulo 4 Antes que ele acorde

Charlotte

Charlie me acorda cedo. Ele está agachado ao lado da minha cama, esfregando as mãos uma na outra e soprando ar quente nelas, como se isso fosse adiantar de alguma coisa — o hálito dele embaça no ar gelado do quarto.

— Anda — ele sussurra. — Vamos sair daqui antes que ele acorde.

Eu pisco para espantar o sono e saio da cama. O frio não perdoa nem um pouco. Por um segundo, fico parada ali, com os dentes cerrados, tentando lembrar se a casa estava tão gelada ontem à noite ou se eu só esqueci como é sentir calor.

Juro que aqui dentro é mais frio do que a neve lá fora.

Visto as roupas mais quentes que eu tenho. O que, sinceramente, não quer dizer muita coisa. Um suéter fino, meu jeans menos usado, meias com buracos que finjo não notar. Prendo meu cabelo loiro num rabo de cavalo e calço os sapatos em silêncio, fazendo uma careta quando o chão range sob o meu peso.

O pai ainda está esparramado no meio da escada, exatamente onde desabou ontem à noite. A boca está aberta, e um braço torci......

Capitulo 5

Capítulo 5 Hoje à noite eu patino

Charlotte

Volto para casa com as sacolas de compras de verdade, mordiscando os dedos, e sigo arrastando os pés pela neve em direção à casa. Meus braços doem, meus dedos dos pés estão dormentes de novo, e a luz da varanda está acesa — o que nunca é um bom sinal.

Isso significa que o pai está acordado.

Ele está largado no sofá velho e mofado, com a televisão berrando, uma garrafa vazia tombada de lado perto do pé e outra frouxamente presa na mão. Os olhos dele se viram para mim no segundo em que abro a porta.

— Onde você estava? — ele rosna.

Levanto as sacolas, erguendo-as como a única prova que eu tenho. — Fui até a cidade comprar umas coisas pro jantar de hoje e pro almoço de amanhã. Achei que você ia estar com fome.

Ele bufa e bate a garrafa na mesa de centro com força o bastante para eu me surpreender por ela não quebrar. A cerveja derrama pela borda, escurecendo a madeira, e eu observo como aquilo parece deixá-lo ainda mais irritado.

— Ah, é? — ele diz. — Eu estive na cidade. Não te vi lá......

Capitulo 6

Capítulo 6 Silenciosamente inconsciente

Blake

Eu sabia que hoje ia ser um bom dia.

Começou normal. Café da manhã com parte da matilha, pratos raspados até ficarem limpos, aquele barulho tranquilo enchendo a cozinha. Theo falou demais, como sempre, já a mil e pronto pro dia. Ele foi no banco da frente quando a gente pegou carona junto até a escola, tamborilando os dedos no painel no ritmo do rádio.

Tivemos treino de hóquei antes do almoço, e só isso já bastava pra me deixar de bom humor.

A pista estava fria e barulhenta, como sempre. O técnico Donaven latiu ordens enquanto a gente amarrava os patins, e então eu pisei no gelo e deixei os ombros relaxarem. Começamos com alguns exercícios, linhas de passe e curvas fechadas. Eu forcei, pernas queimando, pulmões trabalhando. Lex entrou no ritmo com facilidade, satisfeito em ficar quieto pela primeira vez em muito tempo.

Então o cheiro me atingiu.

Não era forte. Não como ontem, na floresta. Era fraco e se misturava com suor, borracha e aço afiado, mas era o mesmo. Doce e, ao mesmo tempo, familiar ao meu coração.

Lex ergueu a cabeça dentro de mim, e eu ......

Capitulo 7

Capítulo 7 Morangos e creme

Blake

Quando a gente entra na minha garagem, Charlie volta a ficar calado. Ele nos segue pelo caminho, as mãos nos bolsos da jaqueta, os ombros levemente encolhidos contra o frio.

Mamãe abre a porta antes mesmo de a gente bater.

— Blake — ela diz primeiro, como se estivesse conferindo se eu ainda estou inteiro.

Então o olhar dela cai em Charlie, e o sorriso suaviza, virando algo acolhedor. — Você deve ser o Charlie.

Charlie pisca, claramente sem saber como ela saberia disso. — Sou. Oi.

— Eu sou a Mara — diz mamãe, saindo da frente. — Entra, senão você vai congelar aí fora.

Papai aparece atrás dela, enxugando as mãos num pano de prato. Ele avalia Charlie daquele jeito rápido que todos os alfas têm, sutil e calculista, mas a voz continua amigável.

— Gareth — ele diz, estendendo a mão. — Prazer em conhecer você.

Charlie aperta a mão dele. Então seus olhos passam por eles e correm para dentro da casa.

Theo o cutuca para a frente. — Tira o sapato. Ela mata a gente se a gente entrar com neve.

Charlie tira os sapatos depressa,......

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Capítulo 1 Periferia

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Charlotte Pierce está acostumada a sobreviver em movimento. Cidades novas, escolas novas, a mesma casa velha no fim do mundo, e a mesma regra que a m...

Promessa da trama

A relacao principal nasce em um ambiente de poder, hierarquia e instinto, onde romance e perigo caminham juntos.

Temas fortes

A historia aparece ligada a Família, Maltratado, Sobrenatural, Outro, Alfa.

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A relacao principal nasce em um ambiente de poder, hierarquia e instinto, onde romance e perigo caminham juntos.

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